quinta-feira, 28 de outubro de 2010

COMISSÃO JULGADORA DO CONCURSO LITERÁRIO

Conforme dispõe o Item 7 do Regulamento do Concurso Literário Prof. Francisco de Aquino Costa, edição 2010, a Academia de Letras e Artes de Castro Alves (ALACA) divulga os nomes dos membros da Comissão Julgadora dos trabalhos:

Luciano Bernardo - Salvador
Newton Quadros Cairo - Salvador
Eliana Souza Lago - Salvador
Armando Barreto Rosa - Salvador
Mário de Almeida Lima - Salvador

O resultado do Concurso sairá no próximo dia 02/11/2010 (Terça-feira).



“A ti, querida Castro Alves, terra do berço, da minha infância,
da minha mocidade e da minha velhice. Eu te saúdo com toda a vibração do meu amor
cívico e fraternal; com todo orgulho de filho porque sou castroalvense;
com todo meu entusiasmo, porque venho acompanhando o teu crescimento (...)”

Aurino de Azevedo Teixeira
(Trecho extraído do livro Informações Históricas da Cidade de Castro Alves, 1990)..

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

INDICADOS AO PRÊMIO PROFESSOR EUGÊNIO ARAÚJO





A Academia de Letras e Artes de Castro Alves - ALACA divulga os nomes dos professores que receberão o PRÊMIO PROFESSOR EUGÊNIO ARAÚJO, edição 2010.

A ALACA realizou uma consulta pública, com 120 entrevistas, entre os dias 15 de setembro à 10 de outubro de 2010, que indicou os nomes dos professores Rosa Maria Matos Rebouças Mota, Aldo de Oliveira Andrade Júnior (da ativa) e a professora aposentada Avany Rodrigues Mendes.

A solenidade de premiação terá lugar na Biblioteca Municipal Professora Isabel Matos, no dia 05 de novembro de 2010, às 20:00h (Dia da Cultura), em Castro Alves/Ba.

A ALACA agradece a todos que participaram democraticamente da consulta pública/2010.

RESULTADO DA CONSULTA PÚBLICA

Nome do professor (a) - Votação

MODALIDADE: PROFESSOR DA ATIVA:



Aldo Júnior (Polivalente) 21
Rosa Maria (Colégio M. Vicente José de Lima 21
José Amorim (Colégio Master) 17
Tatiane Pereira (CIC) 14
Deije Moura (Polivalente) 13
Antônio (Toinho) (Colégio M. Luís Eduardo Magalhães) 13
Maria Conceição Barros Azevedo (Ceiça) 10
Conceição Rodrigues (Polivalente) 10
Maria da Conceição Oliveira 9
Gilmaria (Polivalente) 8
Eliana Azevedo (CIC) 8
Ednildes Nery (Polivalente) 7
Edvânia (Polivalente) 7
Rita Dantas (CIC) 6
Sheila Nobre ( Escolinha Castro Alves) 6
Aline Mota (Escolinha Castro Alves) 6
Edleusa Barbosa (Polivalente) 6
Ivonete Brito (Colégio M. Vicente José de Lima) 6
Eranildes (João XXIII) 6
Pascoal Júnior (Polivalente) 5
Marta Amorim (Polivalente) 5
Euclides (Polivalente) 5
Ilza (Flaviana Ribeiro) 4
Carina Rodrigues (CIC) 4
Rute Pomponet (Polivalente) 4
Cristiane Rodrigues 5
Joilson 4
Maria do Carmo 4
Jailton 3
Fernanda Carvalho 3
Eliana Rodrigues 3
Suely da Silva Oliveira 3
Janicleide Rocha 3
Géssica Aragão (CIC) 3
Cleusane Mendes ( Escolinha Castro Alves) 3
Marta Blumetti 2
Val Matos (Polivalente) 2
Balbino Azevedo (CIC) 2
Cleide 2
Ana Matos 2
Gilvan 2
Alex 2
Tatiane Santos (Escolinha Castro Alves) 2
Crispina Vital 2
Rita Carvalho 2
Érica do Espírito Santo 2
Ricardo Braga 2
Rosângela Oliveira 2
Gisele Pereira 2
Conceição Moura 2
Lilia Gomes (Polivalente) 2
Edson Stering (Polivalente) 2
Sione Barreto 2
Paulo Rogério (Polivalente) 2
Vilma Mendes 2
Gerusa 2
Tadeu (Polivalente) 1
Pavel 1
Edna Barbosa 1
Edlane Souza 1
Lívia 1
Jaime (Polivalente) 1
Suely Nery (Polivalente) 1
Isabel (Polivalente) 1
Patrícia (Polivalente) 1
Silene Cardoso 1
José Natan 1
Marta Lago (Polivalente) 1
Meire 1
Nisi 1
Alessandra (Polivalente) 1
Reinaldo 1
Eusilene 1
Almir Meneses 1
Marli Rocha 1
Ana Aquino 1
Gildasia (Dadau) 1
Janine (Colégio M Luís Eduardo Magalhães) 1
Armandinho (Sítio do Meio) 1
Éder (Colégio Municipal Luís Eduardo Magalhães) 1
Dí 1
Rita Nogueira 1
Ivanilda 1
Joselene 1
Messias Correia Cabral 1
Maeli ( Colégio M. Luís Eduardo Magalhães) 1
Natalina 1
Daniela Fonseca 1
Evanete 1
Cecí Rebouças 1
Dada 1
Jeane Santos 1
Nildes Tourinho 1
Eliana Barbosa 1
Gilda 1
Eliane Cabral 1
Rita de Cássia Nery 1
Dilma (Polivalente) 1
Concinha 1
Nilsinho 1
Mirian 1
Lilia 1
Juceli 1
Núbia 1
Josineide (Colégio M. Luís Eduardo Magalhães) 1
Geisa Campos 1
Juci Moura (Morro) 1
Marlene 1


MODALIDADE: PROFESSOR APOSENTADO:




Avani Mendes (Polivalente) 52
Antônio Macedo (Polivalente) 45
Ione Dantas (Polivalente) 31
Maria da Conceição/Babia (CIC) 28
Dedé (Polivalente) 25
Cleusa Mendes (Escolinha Castro Alves) 14
Lúcia Cunha (Polivalente) 14
Núbia Rebouças (Polivalente) 13
Cecília Nery 13
Fernando Reis (Polivalente) 12
Rosilda Lídio do Ó 7
Ivonete 7
Maria do Carmo Nascimento 5
Jaime de Aquino/Jajai (Polivalente) 6
Edson 5
Conceição Stering 5
Admildes Morais 3
Luzia Campos (Colégio do Morro) 2
Edleusa Mucury 3
Zélia Nery 3
Maria Conceição Costa Santos 4
Luiza (Polivalente) 3
Sandra Velame (Osvaldo Campos) 2
Vera Castro 2
Ednalva Alves 2
Terezinha Lima 2
Maria Lúcia Souza 3
Ademir 2
Darcy Souza de Jesus 2
Marilene Nascimento 2
Marizete Lima 1
Ana Lúcia 1
Valdecí 1
José Meneses 1
Janice Gonçalves 1
Ivany Nobre 1
Nélia 1
Antônia (Tune) 1
Raildalva do Ó 1
Reinaldo 1
Cristiane Oliveira 1
Hermes (Osvaldo Campos) 1
Nina (Osvaldo Campos) 1
Adalci Barbosa 1
Neide 1
Luordes Barreto 1
Elenalva (Polivalente) 1
Dalva Matos 1
Aidil 1
Maria (Polivalente) 1
Aloysio Falcão 1
Aida Melo 1
Léia Barreto 1
Évani (Esc. Eugênio Araújo) 1
Lúcia Lobo 1
Zene 1
Ananias Almeida 1
Valdemir Mendes 1
Adelita 1

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

UFRB faz parceria com a Fundação Hansen Bahia

Chefe de gabinete e assessor da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) chegam hoje (05) a Cachoeira para reunião com reitor da UFRB visando construir proposta de parceria da universidade com a Fundação Hansen

A Fundação Hansen Bahia, instituição museal de direito privado criada há 32 anos em Cachoeira – na região do Recôncavo baiano – para divulgar o acervo de 13 mil peças do artista alemão naturalizado brasileiro, Karl Heinz Hansen (1915–1978), vai contar com apoio técnico e conceitual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

A chefe de gabinete da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), Neuza Haffner Brito, e o assessor da procuradoria jurídica da SecultBA, Tiago Pereira, chegam hoje (05.10) à tarde em Cachoeira para reunião com o reitor da UFRB, Paulo Gabriel Nacif, visando delinear a participação da universidade e esboço para nova gestão da mais conhecida fundação cultural da região.

“Os conselheiros da Fundação Hansen já discutiram que a UFRB pode indicar um gestor para coordenar essa nova transição”, adianta Neuza Brito. Os 26 novos conselheiros da instituição foram empossados no último dia 25 (setembro), na Fazenda Santa Bárbara, antiga residência dos Hansen em São Félix, propriedade que integra os museus da fundação, juntamente com a sede, em Cachoeira.

A Secretaria de Cultura iniciou as articulações com a universidade, já que o seu conselho curador é presidido, sempre, como determina seu estatuto, pelo secretário estadual de Cultura. Dentre os 26 conselheiros estão os diretores do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e da Fundação Cultural do Estado, igualmente órgãos da SecultBA. “A próxima reunião de conselheiros da Hansen já acontece próximo dia 16 (outubro) quando será apresentado pela UFRB, o novo esboço de gestão e por isso a reunião com o reitor hoje”, explica o assessor da SecultBA, Tiago Pereira.

Após a posse dos conselheiros no dia 25, o secretário de Cultura, Márcio Meirelles, alertou para necessidade da Fundação ter mais autonomia, buscar novas ações regionais, estaduais, nacionais e até internacionais. “Hansen tem obra artística renomada em vários países e diante dessa magnitude muitas parcerias e projetos com setores privados e públicos, incluindo até governos estrangeiros, além das leis de incentivo fiscal e editais públicos da Bahia e do Brasil podem ser mais aproveitados”, diz Meirelles. Na última década, a Hansen vem dependendo, exclusivamente, de recursos públicos estaduais.

A SecutBA tem exemplo do Museu de Arte Moderna (MAM/Ba), instituição pública estadual que conseguiu nos últimos quatro anos trazer exposições através de parcerias público-privadas, entre outras soluções mais articuladas e competitivas para a economia da cultura. A exposição “Cuide de Você” da artista francesa Sophie Calle – que obteve quatro vezes mais público em Salvador que em São Paulo -, chegou na capital baiana graças à articulação da diretora do MAM/BA, Solange Farkas, e a patrocinadores de São Paulo. A SecultBA espera que qualquer gestor cultural possa articular e buscar novas soluções.

A SecultBA continua investindo em instituições de caráter privado com programa de apoio a elas. Só neste ano, através do Fundo de Cultura, estão previstos investimentos de R$ 1,5 milhão para apoio a museus, arquivos, teatros e centros culturais. A Bahia é o único estado brasileiro que tem programa de apoio a instituições privadas com ações continuadas. Outras informações através do site www.ipac.ba.gov.br ou na Fundação Hansen Bahia via Tel. (75) 3438-3442 e endereço eletrônico hansenbahia@uol.com.br.


FONTE: http://www.cultura.ba.gov.br/

Fundação Pedro Calmon promove I Encontro de Academias de Letras e Artes da Bahia




A Fundação Pedro Calmon/Secult realizará entre os 15, 16 e 17 de outubro, I Encontro de Academias de Letras e Artes da Bahia, no Centro de Cultura Olívia Barradas na Cidade de Valença. Um dos objetivos do encontro é o reconhecimento e regulamentação das academias e a criação de um Fórum Permanente de Academias do Interior.

A Bahia iniciou seu projeto acadêmico em 1724 com a criação da Academia Brasílica dos Esquecidos, que durou menos de um ano. Passados 29 anos (1759) surge a Academia Brasílica dos Renascidos. Atualmente existe no Estado cerca de 80 Academias de Letras, Artes, Educação e Cultura. O Encontro visa a integração e desenvolvimento dessas instituições culturais.

A abertura do evento será na sexta-feira (15), às 18h, com a presença de escritores e autoridades políticas, seguido por apresentações culturais e artistas da região. Durante o Encontro, o público poderá visitar o estande com as publicações da Secretaria da Cultura /Fundação Pedro Calmon onde os livros serão colocados à venda.

Entre as mesas de discussões estarão temas como: As Academias de Letras: necessidade e função; Literatura baiana, a escola e o cânone; Adoção da literatura baiana ao currículo escolar; Diversificação de obras e autores baianos no processo de seleção para o ingresso no ensino superior; Ampliação do cânone da literatura brasileira; O escritor baiano e o mercado editorial; O lugar e o papel do autor independente; Como resolver o problema da distribuição dos livros das pequenas editoras e Leis e editais de fomento ao mercado editorial.
Fonte:


FONTE: http://www.cultura.ba.gov.br/
Fundação Pedro Calmon - FPC
Contato: Carlos Souza / 71-3116-6918

terça-feira, 5 de outubro de 2010




Com texto e direção de Cristiane Barreto, História de uma Lágrima Furtiva de Cordel inspira-se em “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Estreou no Theatro XVIII – Pelourinho, em março de 2010. Contemplada com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro – 2008 – FUNARTE e com o Ed. O Tal (edital de cessão de pauta do Teatro XVIII). Nessa primeira temporada, o espetáculo obteve excelente repercussão, tanto da classe artística, como do público em geral.


Em novembro de 2010, retornaremos para mais uma temporada, no Teatro SESI – Rio Vermelho (6/11 a 19/12 – sábados e domingos – 20h).


Diante da relevância da obra de Clarice Lispector para a literatura brasileira e das temáticas abordadas no espetáculo, durante esta nova temporada, ampliaremos nossa divulgação nas escolas de ensino fundamental e médio para alunos a partir de 12 anos. Também faremos divulgação nos cursinhos pré-vestibulares e no ensino superior com o objetivo de possibilitar acesso e a fruição artística de adolescentes, jovens e adultos ao universo lispectoriano.
Sobre a obra e a escritora

Há pouco mais de 30 anos, a literatura mundial e brasileira perdia Clarice Lispector, e A Hora da Estrela foi seu último livro escrito. De toda a sua obra, esta é uma tentativa da autora em abandonar a subjetividade dos livros anteriores; a sua proposta é uma narrativa mais objetiva, abordando de maneira reflexiva a complexidade da vida e o eterno questionamento sobre a passagem para a morte. O romance A Hora da Estrela foi lançado em 1977, logo após Clarice descobrir a doença que a levaria à morte em 9 de dezembro do mesmo ano. Em uma das últimas frases deste livro a autora afirma: “A morte é um encontro consigo”. Os leitores podem amenizar a saudade da escritora com a idéia de que não morreu simplesmente, mas encontrou-se consigo mesma. Virou estrela.


A escolha de A Hora da Estrela


Foram feitas inúmeras e significativas adaptações de A Hora da Estrela para o teatro e para o cinema, isto só reforça a tamanha capacidade de possibilidades interpretativas da referida obra. A trajetória da personagem Macabéa do interior nordestino para o “sudeste maravilha”, a linguagem; uma mistura de realismo, simbolismo metafórico e de um nonsense ao mesmo tempo cruel e risível, além da tamanha teatralidade da obra, esse manancial instigou Cristiane Barreto a enveredar no desafio de buscar o seu olhar, inspirando-se na obra da referida autora.


Sinopse


A peça aborda a trajetória de Macabéa uma moça sonhadora e ingênua, órfã de pai e mãe que nasceu e foi criada no sertão nordestino por uma tia. A tia morre e ela vai morar no Rio de Janeiro, às voltas com valores e culturas diferentes. Nesse novo ambiente, nesse novo mundo, Macabéa é levada pelo fluxo da vida sem conseguir se envolver nem estabelecer relação com as pessoas pelas quais passa. Assim, vazia é a sua relação com as três colegas de quarto; vazio, o seu princípio de namoro com Olímpico; e vazia, a sua amizade com Glória, a colega de trabalho que toma-lhe o namorado e lhe indica uma cartomante.


O espetáculo conta a história dessa moça do ponto de vista do próprio escritor que não consegue entender o caminho que sua obra tomou, assim como não consegue mudar o seu destino. Os personagens entram na vida de Macabéa, passam por ela, mudam-na de direção, podem até atropelá-la, mas não conseguem alterar a sua essência.


Ficha técnica:


Texto/ Direção: Cristiane Barreto
Elenco: Fernanda Beling, Ilona Wirth, Joedson Silva, Patrícia Rammos, e Wanderley Meira
Preparação do ator para cena: Fabio Vidal
Cenário e adereços: Rodrigo Frota
Figurino: Rino de Carvalho Inácio
Maquiagem e máscaras: Marie Thauront
Direção musical: Sandra Simões
Preparação musical dos atores: Stela Campos
Desenho de luz: Fernanda Mascarenhas
Produção executiva: Wanderley Meira
Assistente de Produção: Alyne Cristian
Coordenação da produção –Transformação Projetos Culturais

CLASSIFICAÇÃO – A partir de 12 anos

Contatos:
Wanderley Meira – 71 99879978 - 3491 5338 – transformacaopc@gmail.com
Cristiane Barreto – 71 8870 6290 – crisbarreto13@yahoo.com.br

Serviço:
Local: Teatro Sesi - Rio Vermelho
Horário: 20h
Período: 06/11 a 19/12, exceto dia 04/12
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)






Av. ACM, 2501, Edf. Profissional Center, Sala 1302 – Brotas – Salvador – BA
Tel.: (71) 3491 5338 / 9987 – 9978
Fax: (71) 3012 5897
E-mail: transformacaopc@gmail.com
CNPJ: 08 944 917/0001-56

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TRÊS MULHERES NA VIDA DE CASTRO ALVES: Eugênia, Idalina e Leonídia



Newton Quadros Cairo*


E amamos – Este amor foi um delírio...
Foi ela minha crença, foi meu lírio,
Minha estrela sem véu...
Dalila, Recife, 1864

* * * *

No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Mocidade e Morte, Recife, 1864

* * * *

O que buscas além dos horizontes?
Por que transpor os píncaros dos montes,
Quando podes achar o amor tão perto?...

* * *
Se quiseres ... as flores do silvedo
Verás inda nas tranças da serrana.
O Hóspede, Curralinho, 1870

Castro Alves, o Poeta da Liberdade, vislumbrou, numa intuição genial, a era da igualdade, da justiça e da fraternidade entre os homens. Como um profeta, no poema “O Vidente”, vaticinou: “Eu vejo a terra livre”; “Poeta dos Escravos”, esculpiu com o cinzel flamejante do gênio o drama da escravidão; “Paladino da República”, exclamou que a “praça é do povo como o céu é do condor”; “Cantor da Natureza” descreveu a beleza bucólica das nossas paisagens, onde vicejam “as roxas maravilhas da campina”, o fragor ciclópico da cachoeira de Paulo Afonso e “as ágeis andorinhas” do seu Curralinho.
Segundo Jorge Amado, também foi o “Poeta da Mulher (e das mulheres do Brasil) do seu encanto, do seu quebranto, da sua secreta nostalgia. Do seu perfume e do seu mistério – poeta do amor – a alma popular recebeu e guardou no canto as suas queixas, as suas tristezas e a suas exaltações amorosas”.
O Poeta amou e foi amado por muitas mulheres. Três delas, entretanto, foram suas amadas prediletas: a fascinante Eugênia, a misteriosa Idalina e a doce Leonídia.
Aos 16 anos, deslumbrado, Castro Alves conheceu Eugênia Infante da Câmara. Vira a bela atriz portuguesa no Teatro Santa Isabel na legendária Recife e por ela se apaixonara perdidamente. Era o tempo das animadas noitadas naquele famoso teatro, das ardorosas polêmicas com Tobias Barreto, que namorava a atriz Adelaide Amaral, rival de Eugênia. Castro Alves empolgava a platéia, em sua maioria estudantes da lendária Faculdade de Direito do Recife. Do camarote, com postura apolínea, se dirigia à sua deusa:

Ainda uma vez tu brilhas sobre o palco,
Ainda uma vez eu venho te saudar...
Também o povo vem rolando aplausos
Às tuas plantas mil troféus lançar...

O Poeta amou Eugênia com todo o impulso de seu temperamento arrebatado:

Fiz de meus versos a púrpura escarlate
Por onde ela pisasse em marcha triunfal.

Quando, mais tarde, vieram a separar-se, lhe dedicou o ardente poema “Adeus”, em que se despede de sua amada para sempre:

Eu – já não tenho mais vida!
Tu – já não tens mais amor!
Tu – só vives para os risos,
Eu – só vivo para a dor!

* * * *
Ainda no Recife das revoluções libertárias, o Poeta conheceu em 1865 uma moça linda e humilde que se chamava Idalina, tão simples que nenhum de seus biógrafos jamais conseguiu saber seu sobrenome.
Logo se apaixonaram e passaram a morar juntos numa romântica casinha branca na Rua do Lima, no bairro de Santo Amaro, nos arredores da capital pernambucana. Nessa época, Castro Alves estudava para fazer os exames preparatórios, uma espécie de vestibular, que lhe daria acesso à Faculdade de Direito do Recife, já então famosa em todo o país.
Conforme descreve Jorge Amado no ABC de Castro Alves, Idalina “era formosa, de olhos brandos e de suave voz”. Foi na tranquilidade bucólica desse idílio, que o Poeta escreveu “O Século”, declamado para um auditório em delírio, no dia 11 de agosto de 1865, na sessão comemorativa da abertura dos cursos jurídicos, no salão nobre da Faculdade de Direito do Recife. Nesse extraordinário poema, que marcou o verdadeiro início de sua glória exclamou:

O Século é grande... No espaço
Há um drama de treva e luz.

Castro Alves vivia feliz com sua Idalina nesse ninho de amor, sem se importar com os comentários que esse amor livre provocava na sociedade de sua época. Mais tarde em 1870, no Curralinho, recordaria esse tempo em “Aves de Arribação”:

Quem eram? Donde vinham? – pouco importa
Quem fossem da casinha os habitantes.
– São noivos: – as mulheres murmuravam!
– E os pássaros diziam: – são amantes!

* * *
Que é feito do viver daqueles tempos?
Onde estão da casinha os habitantes?...
... A Primavera, que arrebata as asas...
Levou-lhe os passarinhos e os amantes!...

* * * *

Leonídia Fraga, a brejeira serrana do Curralinho, foi o primeiro amor de Cecéu.
Diz Jorge Amado, em sua apaixonada biografia do Poeta, que a doce Leonídia “deu-lhe seus risos na infância, seus lábios na adolescência, seus seios quando ele quis, no final, reclinar a cabeça febril”.
Leonídia e seu Poeta viveram felizes no envolvente cenário que emoldura o aprazível Curralinho, rodeado de serras azuis.
Em 1870, no casarão de seus familiares, escreveu o poema “Fé, Esperança e Caridade”, com a epígrafe “eram três anjos – e uma só mulher”, dedicado à sua Leonídia.
Na primeira estrofe, relembra o saudoso tempo de criança, ao lado de sua namorada:

Quando a infância corria alegre, à toa,
Como a primeira flor que na lagoa,
Sobre o cristal das águas se revê,
Em minha infância refletiu-se a tua...

Retornou o Poeta em 1865 ao seu sertão adorado, ao “paraíso dos Castros”, como dizia seu pai Dr. Antônio José Alves, para passar as férias e rever a musa do Curralinho, então com 16 anos:

Depois eu te revi... na fronte branca,
Radiava entre pérolas mais franca,
A altiva c’oroa que a beleza trança...

Pela derradeira vez, no período de fevereiro a julho de 1870, Castro Alves volta aos “sítios do berço”, em busca de melhoras para a saúde combalida e para matar as saudades de sua “Flor do Sertão”:

Hoje é o terceiro marco dessa história
Calcinado aos relâmpagos da glória...

E nela encontra o lenitivo para o seu sofrimento:

Por ti em rosas mudam-se os martírios!
Há nos teus seios o maciez dos lírios...

Nesse mesmo ano, o penúltimo, antes de viajar para a eternidade, dedicou para sua Déia (como lhe chamava carinhosamente) o poema “O Hóspede”, obra-prima da poesia lírica brasileira.
Percebeu Leonídia que seu Poeta já trilhava as veredas que conduziam ao vale da morte. Sabia que, mais do que nunca, precisava ele de seus carinhos e da “tenda sutil dos seus cabelos”. Temia a formosa serrana que seu ídolo partisse para sempre, como “as brisas que passam doudas, leves e não tornam atrás a ver as flores”, como está na epígrafe do poema. Implora Leonídia, no comovente diálogo, provavelmente à sombra do tamarindeiro, em frente do Casarão:

Não partas, não! Aqui todos te querem!
Minha aves amigas te conhecem.

E lhe faz uma tentadora promessa:

Se quiseres as flores do silvedo
Verás inda nas tranças do serrana.

No final de sua existência, breve e luminosa, recordaria o Poeta seus amores no poema “Os Anjos da Meia-Noite”, escrito na Fazenda Santa Isabel, em Itaberaba, de propriedade do irmão de Leonídia, em agosto de 1870. Desfilaram na sua imaginação as cariocas Lalinha Figueiras e Cândida Garcez, a paulista Sinhá Lopes dos Anjos, a musa de “O Laço de Fita”, as irmãs israelitas Ester, Mary e Simy, a quem dedicou “Hebréia”, a italiana, de Florença, Agnese Trinci Murri, a musa dos últimos amores, além de suas idolatradas Eugênia, Idalina e Leonídia:

Mulheres que eu amei!
Anjos louros do céu! Virgens serenas!
Madonas, Querubins ou Madalenas!
Surgi! Aparecei!




* Newton Quadros Cairo, castroalvense, pertence à Academia de Cultura da Bahia e à Academia de Letras e Artes de Castro Alves. É Professor Adjunto, aposentado, da UFBA.